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Marcia Manfrin é dona da Apetit Serviços de Alimentação, uma das maiores administradoras de restaurantes corporativos do Brasil, que serve refeições em 11 estados. Quem vê a empresária hoje, em sua rotina corrida de palestras e reuniões, não imagina que há 28 anos o negócio milionário começou com uma jovem de 22 anos, com uma filhinha pequena no colo, fazendo almoço para 13 funcionários de uma empresa de Londrina. Mas basta conversar por alguns minutos com a empreendedora para perceber que cada passo que a levou de 13 marmitas para 140 mil refeições por dia formaram a identidade da Marcia, e dos valores que ela imprime nos 2 mil colaboradores que fazem parte da companhia.  

A vontade de empreender veio cedo, quando ela deixou o emprego que começou com 16 anos em um banco e passou a gerenciar um restaurante pequeno. Foi com o pedido daquelas primeiras marmitas que Marcia percebeu que havia ali uma oportunidade para crescer. Estudou o mercado, vendeu o restaurante, investiu em um espaço maior e começou a desenvolver o projeto de refeições transportáveis. “Eu ia pro Ceasa de manhã cedinho, voltava, cuidava da pequeninha, fazia entregas, ajudava na cozinha”, relembra. Mas para quem havia começado a trabalhar com 13 anos tentando se manter com escritas fiscais — mesmo com “uma letra horrível” —, ter uma rotina corrida construindo um sonho era esforço que valia a pena.

“Nunca trabalhei sem ter um objetivo.”

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E o resultado não demorou a vir. A empresária  se tornou líder do segmento em Londrina, e, no mesmo ritmo acelerado que levou ao longo de toda a vida, logo investiu na próxima etapa. “Eu sabia que o sucesso só viria com muita dedicação e disciplina, e por isso sempre tracei metas ousadas.” Ao longo dos anos, a meta passou de ser a maior em Londrina para a maior no Paraná, e depois para a melhor do Brasil. E cada etapa trouxe novas dificuldades e aprendizados. “Contratamos mais funcionários, investimos em compras de equipamentos. E junto com o crescimento da empresa minha filha foi crescendo e participando de toda essa rotina”, conta. Foi uma jornada gratificante, mas a empresária não esconde as dificuldades do empreendedorismo. “Tivemos fases difíceis em que eu não sabia se eu iria continuar ou não, e eu abri mão de muitas coisas”, compartilha ela com sinceridade.

“Quando você compartilha seu sonho, as pessoas ajudam a construir ele.”

E a mesma sinceridade e transparência que guiam Marcia nesses 28 anos de empreendedorismo conquistam pessoas: a Apetit foi nomeada em 2017 uma das melhores empresas para trabalhar no Brasil pela consultoria Great Place to Work. “A transparência sempre foi uma prioridade para nós. Nosso time sabe para onde queremos ir e como estamos indo, e isso dá um senso de pertencimento”, explica a empreendedora. E se a trajetória de Marcia serve de inspiração para outras empreendedoras, também conquista funcionárias mulheres para a Apetit: 91% dos colaboradores da empresa são mulheres. “Minha primeira funcionária se aposentou comigo e hoje é uma grande amiga”, conta orgulhosa.

Hoje, são esses colaboradores engajados que fazem acontecer o dia a dia do empreendimento, que, no começo de 2017, passou a ser uma holding. A Dela Foods engloba a Apetit e outras empresas como uma unidade de beneficiamento de vegetais e uma de carnes, que alimentam os processos da administradora de restaurantes corporativos, garantindo o controle da qualidade e a rastreabilidade dos produtos. “É um grande desafio, por que você precisa expandir sua visão, ter indicadores claros e uma equipe altamente treinada”, explica. Essa necessidade moveu a criação de uma universidade corporativa, que capacita os colaboradores com novas competências.

“Quando seus problemas não são maiores que a sua paixão, você vence tudo.”

Marcia continua mirando no crescimento com grandes objetivos, mas hoje, mais importante do que qualquer número, é despertar encantamento. Esse pensamento engaja os colaboradores há onze anos nos projetos do Instituto Apetit de Educação. “Temos que ser gratos com o que a vida nos dá. Fico muito feliz em poder retribuir dessa forma.”

Hoje, 28 anos depois daquelas primeiras 13 marmitas, a empresária sabe que só chegou onde está porque nunca deixou de sonhar grande. E aconselha quem quer empreender a manter esse mesmo espírito inquieto. “Sonhe grande, comece pequeno, mas ande rápido. As coisas só acontecem para quem tem foco, disciplina e acredita”, e ninguém melhor que ela para saber disso.

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