Ela deixou a vida de viajante para empreender

Eu sei / Eu sou  /   / Por Aline Mello  /  Por
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Com apenas 17 anos, Natália Pereira saiu de Pirassununga, interior de São Paulo, para ganhar o mundo. Completou bacharelado em Fotografia e, em seguida, fez as malas para embarcar em uma aventura: foram quatro anos clicando paisagens e pessoas a bordo de um cruzeiro que saía de Miami, e oito meses coordenando uma equipe de fotógrafos no México. Hoje, ela experimenta uma nova aventura, que não tem o glamour de terras distantes, mas causa o frio na barriga que sentia quando explorava um novo mundo: o empreendedorismo. Agora, com 34 anos, ela fortalece a autoestima de gestantes com a Maya Lingerie Materna.

Natália já cultivava há algum tempo a vontade de começar o próprio negócio. A inspiração veio de perto: da irmã Stella esperava o segundo filho e estava desanimada com as poucas opções de lingerie que o mercado oferecia para grávidas. Era um festival de peças nude, sem laço, sem renda ou qualquer criatividade. A escassez de modelos bonitos para gestantes despertou em Natália, mais uma vez, a coragem de encarar algo totalmente novo para ela. Sem filhos e sem nenhuma experiência com o mundo da moda, ela teve que correr atrás de muita informação para entender o universo da maternidade.

“É preciso ter uma rede de amigos e família que te ajude a passar pelas dificuldades que o empreendedorismo traz.”

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Por sorte, ela tinha uma fiel escudeira nessa jornada: a irmã, que hoje é sócia investidora da Maya, além de um grupo de amigas que a ajudaram a entender as necessidades desse público. “Convoquei uma rede de contatos, amigas que já tinham filhos e que iam experimentando as peças, dando opinião”, relembra. Há nove meses, a marca oferece modelos de lingerie que valorizam a beleza das mulheres, sem perder o conforto e a praticidade que são necessários na gestação e amamentação. O esforço da fase de testes valeu a pena: “A gente recebe muito feedback pelo Facebook, totalmente espontâneos. Já ouvimos que era tudo o que faltava na vida da pessoa”, conta.

É nesses momentos que as irmãs percebem que o sonho que tinham para a Maya está se realizando: “A Maya é uma empresa feita por mulheres para que mulheres se sintam com a autoestima elevada”, explica. Basta ouvir a empreendedora falando para entender que cada peça da Maya foi criada com muito carinho, pois são muito mais do que uma roupa básica: “A gente entende que o nosso produto é uma ferramenta para elas passarem por esse período de mudanças físicas e psicológicas felizes com elas mesmas”.

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E se ser mãe é padecer no paraíso, conceber uma empresa também vem com os seus sacrifícios.

“Para empreender não basta ter uma ideia e vontade. É uma mudança muito grande na vida.”

Depois de quase quinze anos sendo totalmente dona da própria vida, Natália teve que abrir mão de algumas coisas para começar a Maya: “Vendi carro e voltei a morar com meus pais para economizar o aluguel e deixar o caixa da empresa mais saudável”. Isso sem falar na mudança de deixar um emprego com salário fixo para ter um rendimento flutuante: “Alguns meses nem salário eu tive, pra não sangrar a empresa” lembra.

O negócio que Natália e Stella viram nascer ainda está se erguendo, mas tudo indica que em direção ao sucesso. Além do e-commerce, os produtos da Maya ganham espaço aos poucos, com a parceria de representantes em várias cidades do Brasil e Buenos Aires, onde Stella está morando. Em maio deste ano, elas ganharam uma forcinha a mais para continuarem crescendo ao conquistar segundo lugar no concurso do Mulheres Seguras no LinkedIn. Com essa verba, elas já planejam o lançamento de uma nova linha de produtos.

A coragem e a força de sua fundadora não podiam representar melhor a mensagem que a Maya Lingerie Materna traz no nome. Na mitologia grega, Maya é a deusa da Primavera, do renascimento. Nada mais apropriado para quem encontrou uma nova vida fazendo produtos que valorizam essas guerreiras que são as mulheres.

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