Ela promove os direitos das mulheres com arte urbana

Eu sei / Eu sou, Isso me Inspira  /   / Por Mulheres Seguras  /  Por
0 comments

Logo que a Lei Maria da Penha começou a valer, em 2006, Panmela Castro, que havia sido vítima de violência doméstica poucos anos antes, percebeu que poderia fazer algo para apoiar outras mulheres que haviam passado pelo mesmo que ela. Foi na arte do grafite que ela encontrou não só a força para se reerguer e sair de casa, como também a ferramenta para alertar e educar muitas outras mulheres e meninas. “Desde nova, sempre fui encorajada a ser artista. Quando me tornei grafiteira e isso deu certo, vi que poderia usar essa visibilidade para ajudar outras mulheres”, conta Panmela, que é formada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

CONTINUAR LENDO

Ela somou os papéis de grafiteira e ativista, e passou a usar os muros do Rio de Janeiro para ilustrar o combate da violência contra a mulher. “Todas as pessoas veem, todos os transeuntes da cidade têm contato com esse grafite. Independente de idade, classe social ou religião, a mensagem chega às pessoas”, explica, sobre a intenção de alcançar vítimas e testemunhas que, muitas vezes, estão muito assustadas para denunciar a agressão. Por isso, as obras sempre trazem o 180, número para denúncias na Central de Atendimento à Mulher.

“O grafite tem uma potência muito grande como ferramenta de comunicação.”

Aos poucos, determinada a promover o empoderamento feminino, Panmela fundou a Rede NAMI, organização não governamental que promove palestras e oficinas sobre a Lei Maria da Penha em comunidades cariocas, e também fomenta o protagonismo das mulheres no mundo da arte.

Tantas trocas de experiência e aprendizados ao longo dos anos fizeram a empreendedora perceber a importância de empoderar também as meninas, principalmente negras. “Além de promover a igualdade de direitos publicamente, para todos, através dos grafites nas ruas, a Rede NAMI está formando uma geração inteira que entende e luta pelos seus direitos.”

O projeto cresceu e chamou atenção internacional: Malala Yousafzai. Paquistanesa de 21 anos, ela foi a mais nova ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, por promover os direitos das meninas à educação – uma luta que fez com que fosse alvo de um atentado em seu país, quando tinha 15 anos. Assim como a artista carioca, a jovem usou sua luta pessoal como inspiração para multiplicar o alcance de suas ações.

“Malala é um símbolo de que todas as meninas devem estudar, então eu pude repensar qual é o meu papel na educação de meninas aqui no Rio de Janeiro.”

O encontro aconteceu recentemente, durante visita de Malala ao Brasil, quando conheceu o Rio de Janeiro e, mais precisamente, a comunidade Tavares Bastos, no bairro do Catete. Panmela, integrantes da Rede NAMI e artistas formadas pelo projeto #AfroGrafiteiras convidaram a ativista para conhecer o impacto do trabalho da organização na vida das mulheres, com um passeio pelo grande museu a céu aberto formado pelos muros coloridos do lugar. Na visita, teve espaço também para uma conversa entre Malala e meninas, sobre os desafios que enfrentam para seguirem estudando e para realizarem seus sonhos.

O trabalho da Rede NAMI é desafiador, mas a força de sua fundadora e das mulheres impactadas pelo projeto inspira a missão de lutar pelo fim da violência e pela equidade de gêneros. E, com a ajuda da arte, muitas batalhas já foram ganhas na área dos direitos das mulheres. “Durante muito tempo, as mulheres foram consideradas habitantes do espaço privado e, quanto a gente vai para a rua, botar numa parede o que a gente pensa, o que a gente é, estamos transgredindo esse espaço que não foi dado para a gente”, conclui Panmela.

RECOLHER

Comentários

Posts Relacionados

Vozes originais, histórias de coragem, reflexões sobre o papel da mulher na sociedade. Conheça...

De uns tempos para cá, a conscientização sobre a importância da igualdade de gêneros vem crescendo...

Sustentabilidade, consumo consciente, meio-ambiente. Esses são temas fundamentais para algumas das...

Leave a Reply