Isso me Inspira: abrindo caminhos mais seguros para mulheres

Isso me Inspira  /   / Por Aline Mello  /  Por
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Gabriela Corrêa nunca se intimidou com profissões comumente associadas aos homens. Depois de crescer ajudando o pai em sua oficina mecânica, montou uma empreiteira. Após erros e acertos, hoje Gabriela aposta de novo no empreendedorismo para ajudar outras mulheres a, assim como ela fez, trabalharem em setores em que elas ainda sofrem preconceito, com o Lady Driver – o primeiro aplicativo de transporte só para mulheres. E tudo indica que ela e as sócias estão seguindo o caminho certo: o app, lançado para o público em março, já conta com mais de duas mil motoristas cadastradas na região de São Paulo.

Nutricionista, Gabriela nunca se limitou pela área de formação. Quando o pai quis se aposentar e recomendou que ela deixasse a área por ser muito masculina, ela abriu uma empreiteira. “Eram 78 funcionários, e só eu de mulher”, relembra. Quando um encarregado a ameaçou no momento em que pediu demissão, ela desanimou e voltou a trabalhar com nutrição. Foi quando teve a experiência incrível de fazer a gestão de 280 funcionários da cozinha industrial na Vila dos Atletas, durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em julho de 2016. Até que um dia foi assediada pelo motorista de um táxi durante a corrida. “Isso me colocou pra pensar. Se eu pudesse escolher motoristas mulheres, seria muito melhor”, conta ela que a partir de então começou a estruturar a Lady Driver junto com as sócias, a irmã Raquel e a cunhada Bianca.

“Cresci achando que a mulher deve ocupar o mesmo espaço que os homens, e acho que todo mundo precisa pensar dessa maneira”

Na época, Gabriela estava morando no Equador, depois que o marido havia sido transferido. O interesse das pessoas foi tão grande – no momento do lançamento, já eram mais de 14 mil mulheres cadastradas – que a CEO teve que voltar para o Brasil. O lançamento oficial do aplicativo em São Paulo ocorreu no último dia 23 de março, mas a grande comemoração foi no dia 8, Dia da Mulher, a data em que a equipe da Lady Driver ficou sabendo que tinha a licença para ser a quinta empresa de São Paulo a atuar com aplicativos de transporte.

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O caminho entre aquela corrida de táxi e o lançamento do aplicativo foi de muito estudo. “Participei de cursos sobre startup e tecnologia para me situar no mercado”, afirma Gabriela, que depois de muita pesquisa criou um MVP para testar o app. “Aí que a gente viu que teria uma demanda muito maior do que pensamos inicialmente, e percebemos que tínhamos muitas passageiras e poucas motoristas”, conta. Foi então que as sócias da decidiram focar sua comunicação nas colaboradoras. “Hoje em dia nós vemos empresas investindo forte no transporte, mas nenhuma é voltada para o empoderamento da motorista, explica gabriela. Segundo a empresária, apenas 10% dos motoristas em outros aplicativos no Brasil são mulheres”.

“Não adianta só falar sobre empoderamento feminino. Tem que fazer.”

Gabriela investiu forte na comunicação com as mulheres e conversou com futuras motoristas para fazer, de fato, um app que atendesse às necessidades delas. “Elas são mães, estudantes, e muitas não buscam outros apps porque não se sentem seguras”, explica a empreendedora. Depois do primeiro teste do aplicativo, as sócias estabeleceram a meta de 1500 motoristas e foram surpreendidas com a procura: com 2 mil motoristas cadastradas, 20% das mulheres nunca dirigiram em outro aplicativo.

Grande parte da busca pela Lady Driver veio das redes sociais e do blog da marca, que publica mensagens de empoderamento feminino e informações para as passageiras e motoristas. “Nosso Facebook foi de 300 para 14 mil fãs em três meses, porque as mulheres realmente estão sentindo falta de uma opção segura de transporte”, afirma Gabriela. Foi pelo Facebook que a equipe da Lady Driver conseguiu atrair um dos maiores investidores de startups do Brasil.

A Lady Driver já está funcionando a todo vapor em São Paulo, mas as meninas não querem parar por aí. “Nós recebemos centenas de mensagens todo o mês pedindo o aplicativo em outros lugares do país”, afirma Gabriela, que acrescenta que a expansão está, sim, nos planos da empresa, quem sabe até para outros países da América Latina. E em todos os lugares, a missão da Lady Driver será sempre a mesma: empoderar mais mulheres a exercerem o direito de ir e vir com segurança. Mulheres transexuais também são bem-vindas na plataforma: “Somos uma empresa a favor da inclusão e livre de preconceitos”, conclui Gabriela.

 

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