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Muitas pessoas que se formam em jornalismo acabam indo para a área de publicidade. Com Dani Koetz aconteceu o mesmo. A diferença é que, depois de passar pelo marketing digital e criar sua empresa na área, ela foi parar no ramo dos sabonetes artesanais. Trocando a rotina na frente do computador pelo trabalho manual em casa, ela fundou a Sabonê. Mas não sem antes passar por alguns altos e baixos.

A comunicadora terminou a faculdade na época em que teve início a popularização da internet. Depois de se formar, foi direto para São Paulo ajudar no começo da agência de propaganda de uns amigos, e acabou começando o seu próprio negócio na área. “Desenhei um sistema que considerava ideal para monitorar marcas em redes sociais, e com três sócios montamos nossa empresa”, conta a gaúcha.

Dani trabalhava no atendimento e na prospecção dos clientes, enquanto um dos sócios trabalhava com desenvolvimento. A empresa fechou as portas depois de 3 anos.

“Minha empresa quebrou por fazer negócios com um cliente que não se comprometeu”

Eles começaram a prestar serviços para uma grande agência de publicidade que, em função da demanda, passou a receber toda a atenção da equipe, que era pequena. Depois de um tempo o cliente começou a não pagar pelo serviço, alegando não ter caixa. E como toda a renda dependia deles, a perda foi um grande baque.

“Como nesse mercado todo mundo se conhece, resolvemos não fazer alarde, fomos conversar com eles. Nos pediram desculpas, mas nunca recebemos o dinheiro”, lembra Dani. “A economia estava em um momento de crise, e não conseguimos manter a empresa. Tivemos que tirar dinheiro de onde não tínhamos para pagar os funcionários e fechar nossa startup do jeito correto.”

Desde lá, já se passaram dois anos, e a empreendedora reflete que o erro foi não ter ninguém cuidando das cobranças e da contabilidade. Para não acontecer a mesma coisa com outras empresárias, a dica é nunca começar um trabalho sem contrato assinado. Não se pode dar o benefício da dúvida.

Outra coisa importante é não depender de um único cliente. Além do risco de inadimplência, ele pode deixar você na mão para buscar um dos seus concorrentes ou até mesmo por resolver fechar o próprio negócio. O mesmo é válido para os seus fornecedores: é sempre bom ter opções.

“Ser empreendedora é não desistir”

Depois da decepção, alguns problemas de saúde da Dani começaram a se agravar. Foram necessários muitos dias de cama e uma cirurgia no tornozelo para que as coisas voltassem a entrar nos eixos, graças a uma nova ideia.

“O meu corpo não estava muito bem, e fui procurar o que eu gostava de fazer. Sempre tive a pele muito sensível e, nesse período em casa, comecei a estudar como se faz sabonetes artesanais, até mesmo porque eu precisava para mim. E aos poucos, fui fazendo para os amigos também”, conta.

Ela escolheu focar em matéria-prima de alta qualidade para produzir sabonetes que trouxessem mais benefícios que os comprados em farmácia. Para isso, usou princípios da aromaterapia e ativos naturais como, por exemplo, a aveia – cujo sabonete é campeão de vendas no site.

Seu primeiro passo foi testar, testar e testar. Por três meses ela produziu lotes de sabonetes e enviou amostras para algumas pessoas, sem contar que eram dela as mãos por trás do produto. Com isso, tinha um feedback mais sincero, e foi descobrindo o que estava dando certo e o que podia melhorar. Enquanto o produto era aperfeiçoado, Dani foi desenvolvendo a marca e o site do seu produtos. E assim nasceu a Sabonê, que possui loja exclusivamente online.

“No primeiro mês da loja online produzi 120 sabonetes. Hoje, só dois meses depois, já estou produzindo 500.”

Ela conta que o investimento de tempo e dinheiro da fase de testes valeu a pena. E logo começou a receber e-mails de pessoas querendo saber onde comprar os sabonetes que tinham ganhado.

A empreendedora conta que hoje seu maior lucro é o retorno positivo dos clientes. Literalmente, já que segundo uma pesquisa que fez no seu site, a maioria dos compradores conheceram os sabonetes por indicação de terceiros. “Eu apostei tanto no diferencial do meu produto que quem conhece costuma indicar”, argumenta.

“Não preciso mais gastar duas horas no trânsito nem quarenta reais para comer bem”

Para quem pensa que empreender significa trabalhar 24 horas por dia, Dani mostra um outro lado e conta que ter seu negócio em casa a ajudou a viver mais tranquila.

“As histórias de empreendedorismo são muito parecidas no início, mas o jeito que você administra é o ponto chave”, reflete. “Eu estou indo mais para o caminho da produção slow, tenho tempo para pensar, me inspirar e fazer com calma e bem feito. Eu trabalho para viver, e não o contrário.”

A Sabonê não é a sua principal fonte de renda por enquanto, e a jornalista ainda precisa fazer alguns freelas. Mas afirma que sua vida já melhorou muito. Sem o estresse e a correria que tinha quando comandava uma empresa de comunicação, sua saúde sai ganhando. Hoje ela conta que faz a própria comida e tem mais tempo para se cuidar.

Para Dani Koetz, os erros serviram para aprender, e não para desestimular. “O importante é ter paixão por novas ideias e coragem para torná-las possíveis”, conclui. E é exatamente o que ela tem feito.

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