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Quem nunca se irritou, teve medo de ser enganada, ou até teve medo de levar o carro no mecânico, ou recebeu um encanador em casa sozinha? Provavelmente você já passou por uma situação parecida. Pois foi em um momento assim que Ana Luisa Correard teve a ideia que seria o começo de uma nova vida para ela. Hoje, a jovem mineira, junto com sua sócia, a curitibana Katherine Pavloski, estão à frente da M’Ana, uma empresa especializada em serviços de manutenção e reparos domésticos por mulheres, para mulheres.

Depois de ser assediada dentro da própria casa ao receber um entregador de gás, Ana, que morava em São Paulo há dois anos, resolveu oferecer no Facebook serviços de reparos para outras mulheres. Em poucos dias, o que era para ser um post oferecendo bicos, recebeu quase 3 mil compartilhamentos e uma legião de admiradoras e novas clientes.

E assim, em agosto de 2015, nascia a M’Ana – Mulher Conserta para Mulher, que nos seus primeiros dois meses atendeu mais de 50 mulheres, fez mais de cem serviços e já completava 5 mil curtidas no Facebook. Neste período, Ana já estava prestes a largar o emprego em uma produtora de vídeos e encarar a vida de empreendedora junto com sua nova sócia, que tinha acabado de conhecer.

M'Ana-mulher-reforma

“Não tem nada de errado em falar que você é pedreira”

Quando era criança, Ana gostava de observar o avô trabalhando na construção da própria casa. O que era uma diversão na infância, tornou-se uma conveniência nos anos em que ela cursava Cinema de Animação no Rio Grande do Sul. Da resistência do chuveiro ao vazamento na torneira, Ana era convocada para todo o tipo de problema que acontecia na casa dos colegas que moravam sozinhos e longe da família, assim como ela. Naquela época, ela não imaginava que os bicos se tornariam um negócio, mas quem a ajudou a perceber isso foi Katherine.

Depois de quatro anos estressantes trabalhando como arquiteta em diferentes escritórios, a curitibana, que já morava em São Paulo há cerca de um ano, estava em busca de uma nova oportunidade. Cansada de sofrer preconceito dos homens em obras e de ser pressionada pela rotina, Katherine queria se empoderar e abrir seu próprio negócio. Foi aí que viu aquele primeiro post de Ana, e enviou uma mensagem pelo Facebook. No começo, a outra desconfiou, mas depois de se encontrarem em um evento, em outubro, fecharam a parceria.

“A maioria das pessoas fica surpresa quando descobre que somos nós que vamos colocar a mão na massa”

Em poucos meses, a M’Ana já estava em evidência em todo o tipo de sites de notícias e canais de TV. Apesar da aceitação positiva, as jovens empreendedoras ainda enfrentam preconceitos e comentários negativos, tanto na página do Facebook, quanto nas lojas de ferramentas e ferragens que visitam, já que são elas e mais duas funcionárias as responsáveis por todos os serviços na casa dos clientes. Mas, como argumenta Ana, que aprendeu a ignorar as mensagens maldosas, “se eu estou incomodando, é porque estou no caminho certo”.

E o que tudo indica é que elas parecem mesmo estar no caminho certo. Apesar de já contarem com a ajuda de uma funcionária e uma estagiária, que atendem, assim como as sócias, cerca de três casas por dia, Ana e Katherine estão com a agenda cheia. “Estamos tentando nos multiplicar”, conta Katherine, bem-humorada. Além de ter que resolver as questões administrativas da empresa no final do dia, e das duas estarem se especializando na área, a M’Ana tem um outro lado que consome bastante o tempo das empreendedoras, mas que é o mais recompensador.

“Não somos uma empresa só voltada para o capital, temos um viés social voltado para o empoderamento feminino”, explica Ana. Nos próprios atendimentos feitos nas casas, elas procuram explicar as clientes como fazer o serviço para quando for necessário novamente. “Não queremos que o conhecimento fique só com a gente”, afirmam as sócias que querem que as mulheres procurem os seus serviços não por necessidade, e sim por escolha.

Além de ensinar as clientes, Ana tem usado suas habilidades como editora de vídeos para fazer tutoriais que são postados na página do Facebook da empresa. A vontade de ensinar da M’Ana contagiou outras pessoas: foi por causa do trabalho das meninas, que um grupo de jovens resolveu criar o projeto Curso das Mina, que empodera mulheres com cursos que ensinam habilidades consideradas masculinas, como hidráulica, mecânica, e elétrica – e você provavelmente já adivinhou quem são as professoras.

M'ana

“Os limites que a sociedade nos impõem não são os nossos limites”

Com apenas meio ano de funcionamento, a M’Ana já inspirou milhares de mulheres, e apesar de ser uma sensação muito boa, as meninas confessam que também causa um pouco de insegurança. “Eu caí nesse mundo do empreendedorismo sem querer, e nunca pensei que seria uma pessoa em que os outros se espelhariam”, reflete Ana, ao contar que outras empresas inspiradas na sua ideia estão surgindo em outros estados.

Mas apesar das dúvidas virem de vez em quando, Ana e Katherine têm uma grande certeza: a de que nós, mulheres, podemos conquistar muito mais nas nossas vidas e no mercado de trabalho. E, para quem quer seguir o caminho do empreendedorismo em uma área dominada pelos homens, as sócias da M’Ana dão o recado: vá em frente, e vá mesmo com medo. E quando você ouvir algum “não” ou um comentário preconceituoso, procure força em outras mulheres. “Não teríamos chegado aqui se não fosse por isso, e por entender que quem faz nossos limites somos nós mesmas”, finaliza Ana.

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