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Lisella Zaffari tem dois filhos: um de 2 anos e meio, e outro de dois. O primeiro é o Pedro, fruto de um casamento de 13 anos. O segundo é a Polaris, uma empresa especializada em consultoria de marketing, com sede em Porto Alegre. Como é essa rotina? É quase como criar gêmeos. Mas Lisella não consegue imaginar sua vida de forma diferente. Às vezes até pensa em mudar, mas não dá: o empreendedorismo faz parte da personalidade dela.

A alma de empreendedora é tão forte, que ela abriu a primeira empresa logo depois de se formar em Publicidade e Propaganda na PUCRS, em 1994: uma agência de publicidade chamada Taskcom. Depois de 10 anos de agência, ela percebeu que o que queria fazer, na verdade, não era publicidade. Ela gostava mesmo de construir estratégias e caminhos junto com os clientes, não só de marketing, mas também de criação e posicionamento de produtos.

Foi aí que ela vendeu a operação da Task para outra agência de Porto Alegre, buscou formações em marketing e gestão empresarial, e passou a prestar consultoria trabalhando com empresas de diferentes localidades.

Mas depois de quase 10 anos tendo o trabalho sempre como prioridade, Lisella e o marido decidiram que era hora de encarar um novo desafio: construir uma família. “Aos 39 anos engravidei, e tive o Pedro com 40. Foi aí que vi que precisava mudar minha vida e comecei a pensar em montar um negócio”, conta ela.

E então, meio ano depois do irmão mais velho, a Polaris surgiu. “Resolvi fazer algo que ainda não existia no mercado. Por isso gosto de dizer hoje que, mais que uma consultoria, somos uma fazedoria.” Há dois anos, a Polaris atua como um setor de marketing terceirizado para clientes de diversas áreas – do setor imobiliário até o de saúde. E quando o cliente já tem um departamento de marketing, Lisella e sua equipe trabalham em parceria com ele com uma visão mais estratégica, com um olhar externo que quem está inserido na rotina da organização não tem.

Polaris Lisella Zaffari

O que mudou desde sua primeira experiência como empreendedora até hoje? Muita coisa. “O mercado não tem nem comparação. São 20 anos de diferença. Na minha primeira agência, você precisava alugar uma linha para ter um telefone!”, relembra Lisella. Mas a consultora afirma que o que mais mudou foi ela mesma. Um pouco pela sua experiência e vivência profissional, mas, principalmente, por ter se tornado mãe.

“Ser mãe é a melhor pós-graduação que existe. Você encara as coisas de uma forma diferente, e dá aos problemas a dimensão que eles realmente têm.”

É bom, e tem muitas vantagens, mas Lisella admite: equilibrar os papeis de mãe e de empreendedora não é uma tarefa fácil. “E a grama do vizinho vai ser sempre mais verde”, ressalta ela, que se pega muitas vezes desejando ter um emprego com salário garantido todo mês. Mas, se a vontade e a preparação existirem, é possível. E para isso, Lisella acredita que as mulheres já estão em vantagem: “A mulher por si só já é um ser múltiplo. E ter filhos deixa você ainda mais múltipla”.

Para as mães que querem encarar o desafio de ter a própria empresa, as vantagens são inegáveis. Mas Lisella afirma que é preciso ter em mente que não se trabalha menos. O que muda é a flexibilidade de poder fazer seu próprio horário de trabalho. Ela conta que, quando o Pedro nasceu, era consultora associada em uma empresa e, por isso, tinha uma posição bem flexível. Mas, independentemente de como seja o ambiente de trabalho, Lisella aprendeu que a flexibilidade sempre tem limites.

“Quando você é empregada, ninguém vai achar ruim que você não veio porque seu filho está doente. Todo mundo entende isso. Mas a festa de aniversário de um coleguinha ninguém entende”, explica ela, que defende que as conquistas e as necessidades são igualmente importantes no crescimento de uma criança. Quem tem sua própria empresa tem mais liberdade para definir suas prioridades e as de sua família.

“Quando você é dona do próprio negócio, não existe diferença entre febre e partida de futebol. É você que decide.”

E quais são os planos para o futuro? “Eu gosto de ter previsibilidade, mas uma das coisas que aprendi com a maternidade é que as coisas não funcionam assim. Não se pode prever tudo.” Por isso o que Lisella deseja para o futuro é ter a possibilidade de continuar alcançando novas conquistas profissionais e pessoais, e ter muita energia para cuidar de si e dos seus quase gêmeos: a Polaris e o Pedro.

 

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