Isso me Inspira: “Todo mundo quer ser feliz no trabalho”

Isso me Inspira  /   / Por Aline Mello  /  Por
0 comments

O que você prefere: fazer o que gosta em uma empresa alinhada aos seus valores e ideais, ou um salário bom em um emprego que não faz você feliz? É bem provável que a sua resposta seja a primeira opção, e você não é a única. Hoje, enxergamos o trabalho com outros olhos: apenas pagar as contas já não basta, queremos um emprego que nos traga propósito.

Luciana Caletti percebeu esse comportamento nos brasileiros assim que voltou de um período de 10 anos fora do país, com sede de empreendedorismo. Foi aí que nasceu a Love Mondays: uma plataforma colaborativa onde profissionais avaliam e recomendam, anonimamente, as empresas onde trabalham. Hoje, a startup, que acaba de lançar o aplicativo para iOS, recebe cerca de 2 mil avaliações por dia na plataforma e já faz história no empreendedorismo brasileiro: em 2015, Luciana foi a única convidada do Brasil no Google Demo Day. O evento de empreendedorismo, que acontece todo o ano, selecionou apenas 11 empresas no mundo: todas com ao menos uma mulher entre os fundadores.

A vontade de empreender de Luciana não veio por acaso. Filha de pais empreendedores, Luciana cresceu vendo o dia a dia da empresa de Construção Civil do pai no interior do Rio Grande do Sul. Mas antes de começar o próprio negócio, Luciana decidiu realizar primeiro um outro sonho: morar fora do país. Depois de se formar em Direito na UFRGS, partiu para Londres. Ela começou trabalhando em um pub, mas uma coisa foi levando a outra e, depois de um emprego no consulado brasileiro, conseguiu uma vaga como consultora de gestão, e aí não parou mais. Depois de dez anos no exterior, Luciana voltou para o Brasil trazendo na bagagem a experiência de um MBA em Oxford e de cargos de liderança em empresas grandes como a Johnson & Johnson.

Luciana Caletti

“Queremos ajudar as pessoas a tomarem decisões de carreira.”

Além de muita experiência, Luciana também voltou com muitos contatos, e foi com eles que passou a planejar os passos futuros da sua carreira. Foi a partir de conversas com o ex-colega de MBA David Curran, da Irlanda, que a Love Mondays nasceu. Logo em seguida, juntou-se a eles Shane O’Grady, atual CTO da empresa.

No começo, a Love Mondays era bem diferente do que é hoje. A primeira versão do site foi criada de uma forma simples, que não exigia programação. A versão beta foi lançada com apenas 20 avaliações. A partir dela, o trio foi aprendendo o que funcionava e não funcionava. “Ao longo do tempo, fomos adaptando a plataforma e melhorando. O feedback dos usuários ajudou bastante nesse processo”, afirma Luciana. Hoje, três anos depois, a startup cresceu e Luciana e seus sócios não trabalham mais sozinhos: a Love Mondays tem uma equipe de 23 pessoas trabalhando em um escritório em Pinheiros, São Paulo. O sucesso da plataforma tem um motivo: as pessoas sentem mesmo falta de transparência no mercado de trabalho.

“O trabalho não é mais só um modo de sobrevivência, de pagar as contas”, afirma Luciana. Ela argumenta que, quando alguém se candidata para uma vaga, não consegue enxergar apenas na entrevista de emprego ou no site da empresa como é realmente o dia a dia dela. Muitas vezes, a pessoa pode perceber que não se identifica com a cultura e os valores daquele lugar quando já é tarde demais. Faltava um canal que mostrasse, de maneira autêntica, como é de fato fazer uma carreira dentro de cada empresa. A Love Mondays surgiu justamente para ser esse canal transparente. “Queremos ajudar as pessoas a serem felizes no trabalho”, defende Luciana.

“Empreender é uma jornada difícil, mas, ao mesmo tempo, muito gratificante.”

A rotina da fundadora da Love Mondays é intensa, mas a felicidade de ver o próprio negócio crescendo compensa tudo. Um dia normal de trabalho de Luciana tem uma reunião atrás da outra: a CEO cuida de perto das áreas comercial, de marketing e de vendas da plataforma. Para não enlouquecer tentando dar conta de tudo, ela dá a dica: é preciso saber delegar as coisas. “Eu priorizo as tarefas que vão empoderar outras pessoas. A gente precisa capacitar os outros para poder escalar uma startup”, defende Luciana.

Há quase dois anos, a Love Mondays ganhou um reforço: Luciana e os sócios foram escolhidos para uma rodada de investimentos pela Kaszek Ventures em junho de 2014, parceiros que ensinaram muito sobre o mundo do empreendedorismo para a equipe da startup. Para quem está em busca de um reforço financeiro para o seu negócio, a CEO ressalta: “O investimento é sempre uma consequência do seu trabalho, uma empresa não pode começar já tendo ele como objetivo”.

Ela afirma que é preciso primeiro pensar no modelo de negócios, para então analisar se ele vai gerar receita logo no início ou se o empreendimento vai precisar crescer muito antes de monetizar – nesse caso, o investimento pode ser uma grande ajuda. Se essa for a situação, o melhor caminho é construir uma rede de contatos desde o começo do empreendimento. Luciana afirma que esse é um trabalho de longo prazo, e que para ele dar certo é preciso deixar a vergonha de lado. Aqui no Mulheres Seguras nós damos algumas dicas para você prospectar novos relacionamentos.

E o networking não serve apenas para conseguir investimento: ele é uma ótima forma de fazer amigos no mundo do empreendedorismo, o que é muito importante, segundo Luciana. “Empreender não é uma jornada fácil, especialmente se você está sozinha. Busque apoio de outras pessoas para trocar ideias, dividir alegrias, e compartilhar as mágoas também”, aconselha a empreendedora.

Depois de três anos na liderança da Love Mondays, Luciana quer ainda mais. “Estou sempre com o olho no próximo passo”, afirma. Afinal, as métricas de quem lidera uma startup estão sempre mudando. A Love Mondays demorou 9 meses para alcançar as primeiras mil avaliações na comunidade. Hoje, ela alcança isso em menos de um dia. “Estamos conseguindo alcançar o nosso propósito, recebendo conteúdo da comunidade, e essa é a métrica que me deixa mais feliz”, comenta Luciana, realizada por estar fazendo a diferença na carreira de outras pessoas.

Comentários

Posts Relacionados

Gabriela Corrêa nunca se intimidou com profissões comumente associadas aos homens. Depois de...

Quando se formou em Direito no interior do Rio Grande do Sul, a única certeza que Aldrey Zago tinha...

Empreender não esteve sempre nos planos de Andrea Krueger. Durante a faculdade de jornalismo, ela...

Leave a Reply