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Quantas mulheres que você conhece estão em cargos de liderança? Pense nos lugares em que você já trabalhou, nas pessoas com quem você conversa, em quem você vê dando entrevistas na televisão. De quantas presidentes, diretoras e CEOs você consegue lembrar? Provavelmente, não tantas quanto gostaria. E não é à toa: mais da metade das empresas brasileiras, 57%, não têm mulheres em cargos altos, segundo a edição mais recente do estudo Women in Business 2015, da Grant Thornton.

Hoje, 42% dos trabalhadores formais no Brasil já são mulheres. Mas por que tão poucas de nós chegam ao topo? Nós, simplesmente, paramos no meio do caminho por algum motivo – ou melhor, por vários motivos. Para a especialista no avanço da mulher no mercado de trabalho, Kathy Caprino, entre os obstáculos para que isso aconteça estão questões individuais, organizacionais e globais.

Liderança feminina, mercado masculino

Como dissemos aqui, nos negócios, as coisas funcionam de maneira diferente para as mulheres e para os homens. Justamente porque pensamos e agimos de formas diferentes, e o mundo corporativo ignora isso. Kathy pôde comprovar essa realidade em uma aula que deu na New York University sobre autenticidade no trabalho.

Ela observou que todas as garotas da sala concordavam com uma postura que valoriza relações mútuas, empatia e decisões intuitivas nos negócios. Já os garotos, viam isso como uma fraqueza. E é exatamente isso que acontece no mercado, o que faz com que muitas mulheres sintam a necessidade de copiar os modelos masculinos no trabalho, sem seguirem o que acreditam ser o melhor. Por causa disso, muitas mulheres se sentem desmotivadas a buscarem um cargo mais alto, enquanto outras encontram alternativas para crescerem sem depender de uma empresa, e abrem seu próprio negócio – talvez você se identifique com esse caso.

Falta de ambição?

Há quem diga que as mulheres não são tão ambiciosas quanto os homens. E os números de fato mostram isso. Mesmo no começo da carreira, apenas 47% das mulheres dizem ser muito ambiciosas, em comparação com 62% dos homens. Mas o problema não é a falta de ambição e, sim, o custo dela. Enquanto é culturalmente esperado que os homens sejam ambiciosos e busquem sucesso profissional, a ambição pode ser vista de maneira negativa nas mulheres.

Sheryl Sandberg conta em seu TED Talk (que, aliás, vale muito a pena assistir, são só 15 minutinhos) que já viu muitas vezes no Facebook, onde trabalha como Chief Operation Officer (COO), mulheres deixando oportunidades passarem com medo de parecerem arrogantes e egoístas. E isso é, muitas vezes, resultado de uma pressão que colocamos em nós mesmas.

Trabalho x família

Pesquisas comprovam que as mulheres ainda são responsáveis pela maior parte dos cuidados com a casa e com os filhos. E para as empresárias isso não é diferente. Segundo a pesquisa Perfil da Empresária Brasileira, do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 47% das empreendedoras se responsabilizam sozinhas pelas tarefas de casa, mesmo que a maioria das entrevistadas trabalhem mais de 8 horas por dia. Além disso, 74% das empreendedoras brasileiras têm filhos. Mas ser bem sucedida em todos esses papeis não é fácil. A verdade é que as mulheres que estão em cargos de liderança altos ou não têm filhos ou estão vivendo uma batalha interna, constantemente buscam equilibrar seus papéis de mãe e de executiva.

Depois de passar dois anos vendo os filhos apenas nos finais de semana por causa de seu trabalho no Departamento de Estado americano, Anne-Marie Slaughter escreveu o texto Why Women Still Can’t Have It All (Porque As Mulheres Ainda Não Conseguem Ter Tudo). Anne-Marie defende que, para as mulheres conseguirem ser bem sucedidas em todos os seus papéis, a sociedade e o mercado precisam mudar.

A autora dá um exemplo que aconteceu com ela enquanto era diretora de uma faculdade. Anne-Marie costumava terminar as reuniões às 18h para chegar em casa a tempo de jantar com a família. Até que um dia, as outras professoras passaram a sugerir que parasse de falar sobre os filhos, o que, segundo elas, não passava a seriedade esperada de uma diretora. E isso não acontece só no mundo acadêmico. O mundo corporativo não valoriza a tarefa de criar filhos, o que acaba atrasando o crescimento dos profissionais que o fazem.

Virando o jogo

Como comenta Sheryl, nesse mesmo TED, as mulheres estão sempre subestimando as suas habilidades, porque se preocupam em parecerem ambiciosas ou porque atribuem seu sucesso a fatores externos. Mas a verdade é que podemos muito mais do que acreditamos. Mudar a realidade das mulheres no mercado de trabalho é possível, se mais mulheres confiarem no seu poder de liderança, comunicação e tomada de decisão e não tenham medo de tomar a iniciativa. Afinal, existem estudos que provam que as mulheres podem até ser mais eficientes na liderança do que os homens.

As mulheres podem se tornar grandes líderes e inspirar outras mulheres a seguirem o mesmo caminho. Para que isso aconteça cada vez mais, pense no que precisa mudar e no que você pode fazer para contribuir com essas transformações. De que maneira você pode inspirar seu círculo pessoal e profissional a questionar os motivos para a falta de líderes mulheres, que comentamos aqui no texto? Se mais pessoas se questionarem, podemos construir aos poucos um mundo com mais oportunidades para as meninas de hoje.

 

Para você ficar mais segura:

Livro: Breakdown, Breakthrough: The Professional Woman’s Guide to Claiming a Life of Passion, Power, and Purpose – Katy Caprino

Artigo: Why Women Can’t Have it All – Anne-Marie Slaughter

Vídeo: Sheryl Sandberg – TED Talks

 

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