0 comments

Depois de anos trabalhando como executiva de marketing em grandes empresas, Viviane Duarte estava cansada de ver como a comunicação para mulheres era feita. Ela achava que propaganda e conteúdo para esse público deveria ir além de “Como emagrecer cinco quilos em uma semana” e “Looks do dia”. Decidiu que era hora de mudar esse comportamento. Em 2010 criou o Plano Feminino, uma consultoria especializada em estratégias de marketing para “tirar a publicidade da zona de conforto”. Hoje a plataforma empodera mulheres não só com conteúdo e publicidade, mas também com consultoria e cursos.

Como diz a própria Viviane, esse tema “virou moda” atualmente, mas no começo do Plano a empreendedora sentia que estava falando em empoderamento feminino sozinha. “Em 2010, as pessoas não entendiam direito o que eu estava tentando promover”, conta ela. E enquanto tentava ser ouvida pelo mercado, Viviane também teve que aprender a lidar com os desafios do empreendedorismo.  

“Eu saí de uma empresa global, onde eu tinha milhões para poder investir, e fui abrir a minha empresa achando que eu estava com os mesmos milhões”

Nos dois primeiros anos do Plano Feminino, teve que mudar de plano algumas vezes. Acostumada com a realidade de multinacionais, a empreendedora demorou para tomar as rédeas do próprio negócio. Os dois primeiros anos foram difíceis, mas de muito aprendizado. “Eu contratei muita gente, depois tive que descontratar”, afirma ela, que, aos poucos, foi se ajustando ao novo cenário. “Eu sempre fui muito bagunceira, muito criativa, com muita coisa na cabeça, queria fazer tudo ao mesmo tempo” – conta – “e o empreendedorismo me mostrou que se eu não me organizasse, eu não chegaria a lugar algum”.

Mas todo o esforço e os tropeços valeram a pena quando Viviane Duarte percebeu que o sonho que ela alimentou por muitos anos se tornou realidade. “O que mais me dá orgulho é ver que hoje tenho clientes incríveis, que estão fazendo projetos maravilhosos e desconstruindo estereótipos”.

“A empresa que quer contribuir para o empoderamento feminino precisa olhar primeiro para dentro”

Apesar de cada vez mais marcas apoiarem a causa do empoderamento feminino, Viviane percebe que muitas deixam de lado o que é mais importante para promover de verdade a equidade de gêneros. “As empresas precisam entender que não é só um anúncio com uma frase impactante que vai empoderar pessoas”, defende a empreendedora. Segundo ela, a mudança precisa começar de dentro, na cultura da empresa. “Quem quer contribuir para o empoderamento feminino precisa primeiro analisar como está tratando as colaboradoras, se está trabalhando a diversidade de gêneros dentro da empresa, para depois começar a produzir campanhas publicitárias e falar com as consumidoras”, conclui a consultora.

“Tratar as meninas como iguais desde cedo e falar que elas podem fazer o que elas quiserem é essencial para que elas cresçam e se tornem mulheres poderosas”

O empoderamento começa desde cedo. Foi pensando nisso que Viviane resolveu expandir o Plano Feminino para meninas brasileiras. O projeto social Plano de Menina busca empoderar garotas de comunidades com workshops sobre temas como liderança, finanças, autoestima, saúde e direito. “Quando eu criei o Plano de Menina, pensei na criança que fui”, explica a empreendedora, que cresceu na periferia. “Eu lembro que, quando ‘fiquei mocinha’, meu tio falava que eu não poderia brincar, correr, e isso me colocava para baixo” – conta ela – “Até que um dia minha mãe falou: ‘Você pode fazer o que quiser’. Aquilo foi libertador”, relembra. É esse sentimento que ela e a equipe do Plano buscam multiplicar com o projeto que deve, nos próximos anos, ir além de São Paulo e alcançar meninas do Brasil inteiro.

Assim como meninas precisam de apoio para se tornarem mulheres empoderadas, é essencial também que as empreendedoras apoiem umas às outras. Viviane defende que o networking é essencial para quem está começando, mas se feito da maneira certa. Para a consultora, deve ir muito além de uma troca de cartões: “É preciso promover relações com propósito. Ou seja, você realmente se identificar com uma empreendedora que tenha a ver com você, que pode ser uma ótima parceira, e ver aquela mulher como inspiradora. Ter sororidade”, defende ela, que aprendeu muitas lições participando de eventos de negócios e de empreendedorismo feminino. “É importante que a gente vá nesses eventos como parceiras, não competidoras”, complementa. Com empatia e sororidade, as mulheres têm muito a ganhar no mundo dos negócios. E é isso que Viviane quer mostrar para mais mulheres do Brasil.

Comentários

Posts Relacionados

Após dez anos de uma carreira sólida como executiva de marketing, Tânia Macriani decidiu dar um...

Fotos: Melissa Guaraná O sorriso de Ariana não é por acaso. Afinal, a Flores La Belle não desperta...

Depois de anos de trabalho e muito planejamento, muitas mulheres tomam a decisão de empreender....

Leave a Reply