O aplicativo que transforma lixo em desenvolvimento econômico

Isso me Inspira  /   / Por Aline Mello  /  Por
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“Eu gosto de dizer que um mais um são três”. É assim que Claudia Pires, criadora e sócia da startup So+ma, começa nossa conversa. E não há frase que defina melhor essa história. Desde cedo, a família, de origem simples, a incentivou a fazer escolhas diferentes. Formada em Publicidade e Propaganda e Ciências Sociais, e com pós-graduações em marketing e negócios, Claudia construiu uma carreira de 20 anos no mundo corporativo, mas sem nunca tirar o olhar do que mais a encantava naquele universo todo: o cidadão, mesmo quando ninguém falava nele ainda.

“Naquela época, eu o chamava de consumidor”, lembra a empreendedora. A visão  sociológica e política que Claudia trazia para o marketing trouxe para ela em 2010 a oportunidade de fazer um projeto de sustentabilidade dentro da multinacional onde trabalhava. “Eu comecei a acompanhar as mudanças do consumidor, e fui me direcionando para minha grande paixão”. Depois de três anos imersa nessa área, Claudia viu que era o momento de sair e começar a seguir seu próprio rumo.

“A soma de perspectivas diferentes te leva a lugares infinitamente mais poderosos.”

Depois de deixar a multinacional, Claudia passou 4 meses na Inglaterra e na Alemanha,  visitando agências e empresas que estavam apostando em estratégias de causa e propósito, para confirmar o que estava aos poucos percebendo também no Brasil. Ao voltar, a empreendedora somou essa vivência com sua experiência acadêmica e profissional e com a experiência de seu sócio, Clovis Santana, para começar o negócio próprio. Nasceu como consultoria, mas logo se transformou em a So+ma Vantagens, um programa de fidelidade que desenvolve comunidades de baixa renda.

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A moeda de troca no programa é o lixo. Os moradores da região levam seus resíduos até a Casa So+ma, que encaminha para a usina de reciclagem. Os resíduos, viram pontos, que são acompanhados em um aplicativo, e podem ser trocados por benefícios de  negócios locais ou outras empresas. As vantagens vão desde alimentação básica até cursos e workshops. “A gente sempre tenta pensar em opções que tragam renda para as pessoas, e que atinjam diferentes públicos. Temos desde um curso de programação para não programadores até capacitação de cabeleireiro”, explica. O programa já está presente no Grajaú e em Capão Redondo, em São Paulo, e esse é só o começo.

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“Às vezes, as pessoas não percebem o quão poderoso é ampliar escolhas e oportunidades.”

“Somos o primeiro programa de fidelidade que não é baseado no poder de compra. O que nos move é a potência das pessoas”, afirma a fundadora da So+ma. E que potência elas têm. É o caso de uma mãe do Grajaú, por exemplo, que levou por vários fins de semana resíduos e guardou pontos para o filho de 12 anos realizar o sonho de aprender a programar. “Daqui a pouco, ele já vai estar conseguindo 300, 400 reais por aplicativo”, diz Claudia.

Os negócios locais, as usinas de reciclagem e as pessoas com vontade de aprender algo novo já estavam lá. Também já existia a prefeitura, que tinha interesse em uma comunidade desenvolvida, e empresas que queriam contribuir com uma causa. O que Claudia fez foi visualizar e somar todas essas partes. “Nós conversamos com esses atores, enxergamos os pontos de conexão entre eles e entendemos que todos podem ganhar nesse processo”, conta ela.

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“Inovar é perceber que todo mundo pode ganhar.”

A ideia de transformar a conexão de tantas partes no modelo de negócios de uma startup causa, às vezes, um certo estranhamento, principalmente por parte de outras empresas. “Estamos entrando em um ecossistema de negócios de impacto, e isso ainda é muito novo. E entendo essa reação pois eu vim do mundo corporativo”.

Mas romper essa barreira é apenas questão de tempo. Nos próximos meses, Curitiba deve ganhar sua própria Casa So+ma e comunidades de outras cidades do Brasil, também. Recentemente, a So+ma, que já havia sido vencedora do programa de aceleração BrazilLab, também foi escolhida no SP Stars, programa de mentoria para startups de São Paulo. Uma experiência que, segundo Claudia, faz toda a diferença: “Empreender é um processo solitário. E nessas oportunidades você vê que não está sozinha”, recomenda.

Afinal, essa troca é apenas parte da grande soma que Claudia vem trilhando ao longo dos seus 45 anos. E é exatamente esse o seu maior conselho para quem empreende: somar. “Olhe o que você já faz e faz bem por outro prisma. Experimente. Não tenha medo de falar ‘esse olhar não deu certo’”, aconselha. “Eu faço isso até hoje. Vou em diferentes fóruns, converso com pessoas diferentes, provo bastante”. E quem conhece de perto o trabalho da So+ma sabe que essa soma de olhares tem dado muito certo.

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