O dia a dia de quem encontrou na arte um negócio

Eu sei / Eu sou  /   / Por Aline Mello  /  Por
0 comments

O colar ou o par de brincos que você vê na vitrine de uma loja passou por um caminho muito grande antes de chegar ali. A carioca Elisa Paiva teve o primeiro contato com esse caminho há dez anos, em um estágio durante a faculdade de Design de Produto, e há seis anos transformou a paixão pela arte da joalheria em um negócio, com o Elisa Paiva Joias.

Quando a designer iniciou o curso de Desenho de Produto, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a ourivesaria ainda era um mundo desconhecido. Influenciada pela mãe arquiteta, Elisa queria trabalhar com mobiliário. Apesar disso, o primeiro estágio que ela conseguiu na faculdade foi fazendo desenhos técnicos para uma designer de joias, que foi apresentando o assunto para ela, emprestando livros e despertando interesse pela área.

O interesse por joias acompanhou Elisa durante toda a faculdade, o que a motivou a fazer um curso técnico em ourivesaria. Foi aí que ela pôde realmente viver todas as etapas que envolviam a produção de joias: da criação à confecção das peças. O que começou como um estágio para ganhar experiência, virou um trabalho e uma nova vocação. E logo após se formar na faculdade, Elisa já estava começando uma pós-graduação na área.

Vencendo o medo de encarar o empreendedorismo sozinha

Durante a pós-graduação, viraram rotina as conversas com duas outras colegas sobre a vontade de abrirem seu próprio ateliê. Elisa queria um espaço em que pudesse confeccionar suas próprias peças e criar suas próprias coleções. O curso terminou, as colegas acabaram tomando outros rumos, mas o sonho continuou com Elisa. Apesar da vontade, o medo de encarar sozinha um negócio era grande.

“Eu estava muito no início da carreira, e tinha medo de gastar uma grana no aluguel de um espaço e não conseguir bancar”, conta a empreendedora, que diz que sempre foi medrosa. Medrosa ou não, a coragem para abrir o Elisa Paiva Joias veio quando ela começou a dar aulas de joalheria no SENAI. “Com dois trabalhos em paralelo, me senti mais segura para abrir o ateliê”. E a aposta deu certo: um ano e meio depois, Elisa pediu demissão e passou a dar aulas apenas nos fins de semana, para dedicar mais tempo a suas criações.

Com uma produção em pequena escala e completamente artesanal (com muito orgulho), as joias de Elisa podem nascer a partir de inspirações tiradas de qualquer coisa, apesar dela contar que se inspira muito na botânica. “Minha mãe gosta muito de plantas”, explica a designer, que herdou dela o amor pela natureza. Apesar de separar sua produção em coleções, a criação na vida de Elisa é constante. “Tenho milhões de caderninhos, me perco nos desenhos. Às vezes estou quase dormindo e me vem uma ideia na cabeça. Aí acendo a luminária e dou uma rabiscada para não perder a ideia”, afirma ela.  
Desenhos de Elisa Paiva

Eternizando histórias com ouro

É essa arte muitas vezes despercebida que existe por trás da fabricação de uma joia que Elisa faz questão de representar em cada peça que vende em seu ateliê e loja virtual. E para mostrar mais de perto cada passo da ourivesaria, a empreendedora teve a ideia de unir o conhecimento que tinha a um momento muito especial na vida dos casais: a escolha da aliança. Já é um sucesso do Elisa Paiva Joias o Workshop Alianças, em que a designer ensina casais a produzirem suas próprias joias de compromisso.

A experiência começa com uma entrevista que Elisa faz com cada casal: “Eu ouço todas as ideias que eles têm, e vamos desenvolvendo juntos, no papel, a ideia”, conta a empreendedora. Depois desse momento, acontece o workshop de seis horas. “Eles chegam sabendo praticamente nada, então é bem intenso. Mas todos saem muito satisfeitos”, conta Elisa, que começa ensinando os participantes a trabalharem com latão, para depois confeccionarem suas próprias alianças no ouro.

O começo de uma nova fase

Nesses dez anos de carreira e seis anos de ateliê, a rotina de Elisa já mudou bastante. Elisa já teve parcerias de loja, e até duas sócias – aquelas mesmas colegas da pós-graduação, que dividiram o espaço por um tempo com a empreendedora. No último ano, uma novidade tomou conta da vida da designer: a chegada do pequeno Benjamin, hoje com sete meses.

Desde maio, Elisa tenta aos poucos encontrar o equilíbrio perfeito entre a vida de mãe e de empreendedora. “Ainda está meio caótico”, brinca ela, que já está retomando os contatos e pensando em eventos para expor seus produtos. Ela também conta que tem aproveitado esse momento de transição para tentar se organizar mais nas tarefas administrativas do negócio: “Todo mundo que trabalha com arte tem um problema sério para se organizar”, afirma.

Desafios à parte, a mente de artista de Elisa segue sempre a mil por hora. Entre um workshop e outro, a designer já pensa na nova coleção. E os caderninhos rabiscados continuam sempre por perto, afinal, a inspiração vem quando quer.

 

Comentários

Posts Relacionados

Após dez anos de uma carreira sólida como executiva de marketing, Tânia Macriani decidiu dar um...

Depois de anos trabalhando como executiva de marketing em grandes empresas, Viviane Duarte estava...

Fotos: Melissa Guaraná O sorriso de Ariana não é por acaso. Afinal, a Flores La Belle não desperta...

Leave a Reply