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Não há nada como deixar um cliente satisfeito, ou ver que o seu trabalho fez alguém sorrir. Ter este retorno, muitas vezes, é o incentivo para continuar melhorando o seu negócio. Como o próprio nome sugere, o trabalho da Smile Company é justamente despertar emoções. Mas as fundadoras Vanessa Zaffari e Angela Pinto fazem isso de uma maneira nada tradicional.

Usando arquitetura, psicologia cognitiva, design, neuromarketing e uma série de outras áreas, as duas, juntamente com a sócia Andreia Bonotto, desenvolvem projetos de design de experiência para empresas e serviços. Em seis anos de mercado, a Smile Company já mudou de foco algumas vezes, e não poderia ser diferente com a personalidade criativa de suas duas fundadoras.

“Quando a gente tem sonhos, é muito bom ter uma pessoa que te ajude, te apoie.”

Vanessa é arquiteta de formação. Depois de dez anos em escritórios de arquitetura e em uma empresa que fabricava estandes, ela resolveu fazer uma pós-graduação na área de    design de produto na UniRitter em Porto Alegre, pela qual sempre foi apaixonada. Angela, publicitária que sempre trabalhou em design, foi parar na mesma pós depois de uma especialização em Nova York. Já no curso, as duas viram que pensavam parecido: ambas fizeram o trabalho de conclusão sobre design emocional. Mas foi apenas um ano depois, quando se encontraram por acaso em um café de Porto Alegre que tiveram a ideia de empreenderem juntas.

No começo, a ideia era fazer uma linha de produtos usando o design emocional, mas as tentativas na área foram encontrando vários obstáculos: produzir no Brasil ficava muito caro e terceirizar a produção em outro país era inviável. “Tentamos por vários caminhos, até que em um momento começaram a surgir demandas de serviço”, conta Vanessa. Foi então que elas decidiram aplicar o design emocional em ambientes.

Desde então, a Smile Company já mudou a experiência dos clientes de empresas como o Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, que foi revitalizado com a intenção de diminuir a sensação de frio e ansiedade que hospitais costumam trazer. Para isso, elas utilizaram diferentes disciplinas para atingir todos os sentidos dos pacientes e acompanhantes que circulam pelo hospital. Hoje, painéis iluminados com imagens de natureza trazem tranquilidade em salas de espera e clínicas, e difusores emitem aroma de erva limeira, responsável por reduzir tensões mentais.

hospital mae de deus - smile company

“Queremos atingir um cliente fã, e não apenas um cliente satisfeito.”

O design de experiência, para ter sucesso, precisa envolver ambientes, serviços e pessoas. “Quanto mais multidisciplinar for, mais rico vai ser o projeto”, afirma Vanessa. E é por isso que as sócias estão sempre correndo atrás de conhecimento. Em maio deste ano, por exemplo, Vanessa participou de um congresso em Cleveland sobre experiência do paciente. “A gente acaba trabalhando muito nessa área da saúde, porque é onde as pessoas estão mais vulneráveis, aptas a receber estímulos emocionais”, comenta Vanessa. Apesar de em outros países o design de experiência ser bastante difundido, as sócias ainda encontram obstáculos no mercado brasileiro, especialmente no do Rio Grande do Sul, estado onde atuam.

“Não é fácil convencer o mercado a comprar uma coisa nova. As pessoas têm medo de sair da zona de conforto.”

“No geral, o que surge de fora e vem pra cá é bem aceito, mas o que surge aqui encontra sempre uma barreira”, afirma Angela. Justamente por essa dificuldade, Vanessa e Angela decidiram criar uma metodologia para o projeto que agrada tanto os ousados quanto os tradicionais. A Smile Company divide seu processo em três etapas.

A primeira, de pesquisa, entrega para o cliente um diagnóstico da experiência atual que o cliente tem no lugar. A segunda fase é a entrega do Smile Book, um livro com o projeto de tudo que elas recomendam para o cliente. A execução só vem na terceira fase, chamada de Hands-On. “A gente dividiu o processo para ficar mais fácil de absorver”, explica Vanessa. “Se a pessoa quiser, ela pode ficar com o Smile Book e fazer quando ela quiser, com que fornecedores ela quiser”, ela conclui, admitindo que elas gostariam de poder fazer todo o processo sempre.

Para quem trabalha com emoção todos os dias, é difícil não se envolver com cada projeto, cada lugar, cada cliente. “A gente tem uma característica muito nossa de ser muito entusiasmadas com o que a gente faz. A gente não consegue não se envolver demais no trabalho”, comenta Angela.

Smile Company

A emoção e a criatividade que envolve o trabalho da Smile Company também dificulta a execução de tarefas mais “quadradas”, mas que são essenciais em qualquer empresa. Angela e Vanessa têm dificuldades para organizar as questões administrativas e financeiras do negócio. “É difícil colocar nosso trabalho em uma planilha”, afirma Angela. Por sorte, a nova sócia da empresa, Andreia Bonotto, tem um pouco mais de familiaridade com números e tabelas. Andreia “caiu de paraquedas” na Smile Company, mas foi muito bem-vinda. A arquiteta, que procurava uma oportunidade de trabalho “fora da casinha”, conheceu as meninas através de uma coach. Desde o começo do ano, ela se juntou como sócia do negócio e, por enquanto, se divide entre os resquícios do seu trabalho anterior e o design de experiência.

“Não é uma tarefa fácil, mas se é o que nos faz feliz, o que mais a gente vai fazer?”

Com ou sem obstáculos, Angela, Vanessa e Andreia continuarão buscando novas formas de arrancar sorrisos e despertar emoções nas pessoas. Elas inclusive já têm um novo tema para estudar: a empatia, uma disciplina essencial para melhorar a experiência do cliente. Com um curso na mira e uma pilha de livros para ler, as sócias da Smile Company ainda têm muito o que trazer para o mundo. E para outras Mulheres Seguras que também se recusam a pensar “dentro da caixa”, elas dão o recado: “Não é fácil convencer as pessoas de algo novo. É preciso fazer um exercício diário para sair da zona de conforto”, conclui Vanessa. No final das contas, se você faz o que acredita, uma hora dá certo.

 

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