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Anne Rodriguez lembra de, na infância, ter brincado muito mais de escritório do que de boneca. Isso muito por influência da mãe, dona de uma empresa no ramo da contabilidade. Hoje, aos 28 anos, ela vive o seu sonho dos tempos de criança: ter o próprio negócio, um empreendimento que existe há três anos. E ela ainda batalha muito para que ele se desenvolva – ela e sua primeira contratada. Mas afinal, qual negócio não é uma aventura diária?

Apesar de formada em jornalismo, com experiência em rádio, TV e assessoria de imprensa, Anne foi parar no ramo da moda. Ela e suas 20 revendedoras vendem bijuterias, folheados a ouro e prata e acessórios femininos da sua marca Anne Rodriguez Acessórios, em lojas, bazares e sob encomenda.

Sua primeira experiência como empreendedora de moda foi uma decepção. Ela ainda não sabia muito bem em que área investir, já que não tinha nenhum hobby específico. Até que, em uma viagem, conheceu os acessórios feitos de capim dourado, pensou duas vezes, e resolveu comprar algumas peças para vender no trabalho. A partir daí começou a fazer encomendas por telefone, e foi seguindo com essa fonte de renda alternativa até que foi obrigada a repensar o seu pequeno negócio. O artigo acabou ficando popular entre artesãos hippies, que o tornaram um produto barato, com o qual era difícil competir. “Eu desanimei, achei que não tinha nenhuma alternativa”, lembra. Porém, aquilo acabou sendo o começo de um novo caminho.

Anne continuou na sua empresa até que a vida lhe deu um ultimato: seu marido foi transferido, e ela precisou mudar de cidade. Pegou a rescisão do contrato, fez uma pós-graduação em moda e investiu R$ 600 em uma primeira leva de bijuterias. Sua primeira meta foi ter um lucro de R$1.000 no mês. E a atingiu, com muito esforço – e uma ajudinha das suas primas, que compraram muito. Aliás, até hoje, os bazares de Natal com amigas e família são um sucesso.

Atualmente, ela se vê realizada trabalhando com a autoestima das mulheres. Porém, trocar de área não foi tão simples. “Relutei muito para sair da minha área de graduação, até criei uma revista de distribuição gratuita, que teve duas edições. Mas eu vi que o jornalismo já não me empolgava mais. Só que pensava: mas e todo o investimento que eu fiz? Como vou começar do zero com outro negócio?”, relata. Outra questão que ela diz ter que enfrentar até hoje é o julgamento de algumas pessoas: “muitos pensam que o certo é fazer faculdade de jornalismo e virar jornalista. Se você muda de área acham que é porque ‘não deu certo’, mas eu só digo: ‘Não dei certo? Só me aguarde!’”

“Às vezes a gente acha que é só abrir um negócio, e pronto. Mas é preciso ter muita disciplina para fazer tudo sem ter ninguém cobrando”

A empreendedora lembra que, no começo, tinha dificuldades em lidar com o lado financeiro do negócio, mas encarou os seus medos: “Eu decidi: se vou ter minha empresa, preciso aprender. Então resolvi estudar mais sobre matemática e fluxo de caixa. Fazer contas não era algo que estava no meu sonho, mas percebi que isso também faz parte de ter um negócio”, relata.

“Trabalhar com o que você ama não é fazer apenas o que você gosta. Muito pelo contrário.”

Mas Anne lembra, “temos que desenvolver habilidades, mas também precisamos enxergar que não vamos conseguir fazer tudo sozinhas”. E, por esse motivo, contratou recentemente uma pessoa para ajudá-la, mesmo sabendo que o momento econômico não é dos melhores. “Temos que encarar os desafios como oportunidade. Eu comecei vendendo bijuteria, decidi focar nos folheados a ouro e prata, e achei que em seguida iria para a joia. Porém, o consumo desacelerou muito e a bijuteria tem saído muito melhor. Ou seja, estou revendo todas as ações que eu tinha planejado para o próximo semestre”.

Para finalizar, ela aconselha: “Demorei para começar, tinha medo, ficava esperando o momento certo. Até que descobri que não tem um jeito certo, você só precisa dar o primeiro passo”. E finaliza: “empreender é uma aventura, e eu adoro”.

 

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