Unindo tecnologia e educação para empoderar mulheres

Eu sei / Eu sou  /   / Por Pedro Antunes  /  Por
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Quando decidiu estudar ciência da computação, o plano da Camila Achutti era o de trabalhar na NASA. A vida aconteceu, os planos mudaram e a NASA ficou de lado. Mas a empreendedora de 25 anos não desistiu da tecnologia e encontrou nela uma profissão e uma maneira de empoderar e levar mais educação às mulheres.

“Eu fiz graduação e mestrado junto pra poder ir pra NASA”

Camila é sócia e cofundadora de duas empresas, a Mastertech – plataforma de desenvolvimento contínuo de habilidades –, e a Ponte21 – que trabalha para acelerar o processo de inovação nas empresas. Além disso, ela assina um blog chamado Mulheres na Computação. Mas a trajetória da Camila no mundo da tecnologia começou bem antes de se tornar empreendedora. “Eu cresci numa casa com bastante tecnologia. Eu tinha computador, essa foi minha referência”, conta ela. Foi unindo a afinidade com os computadores e as boas notas em matemática que ela decidiu o que iria cursar na faculdade.

O empreendedorismo começou a dar sinais em 2013, quando Camila foi convidada para ser líder da Technovation (uma competição de tecnologia voltada para meninas) no Brasil. “Minha vida mudou em função disso. Fui convidada para um estágio no Google e percebi que o que eu queria mesmo era mudar a vida das pessoas através da educação”, comenta.

“Eu era a única menina na sala, e voltei para casa com o desafio de entender por que isso acontecia”

Quando percebeu que o mundo da tecnologia contava com pouquíssimas mulheres, resolveu começar o blog. A principal missão do Mulheres na Computação, segunda ela, é acolher o público feminino que quer saber mais sobre tecnologia, ou mesmo empreender no setor. Para ela, um dos grandes fatores que contribuem para o baixo número de mulheres no ramo é um estereótipo muito forte. “Hoje existe uma diferença de alinhamento de expectativa. Temos o estereótipo do menino do Vale do Silício, que com 5 anos já sabe programar e que com 30 anos é milionário.”

E aí que a Mastertech entra em ação, para mudar a percepção das pessoas sobre a participação das mulheres no universo tech. Atualmente, 61% dos alunos da plataforma são meninas e a Camila conta que tudo é pensado para fazer com que elas se sintam à vontade e não fiquem desestimuladas.

Sobre as mudanças na área, Camila ainda não vê grandes avanços. A empreendedora acredita que ainda há muito trabalho pela frente, que as mulheres precisam conquistar mais espaço. O recente manifesto antidiversidade escrito por um ex-funcionário do Google é um ótimo exemplo de que ainda há muito a mudar. “Minha leitura das outras empresas é que tem muita discussão, tem muitos avanços. Mas ainda vejo coisas que me incomodam, como ainda ter que discutir o porquê da diversidade”, comenta a empreendedora. Para Camila, o que devemos debater é “onde” e “como”, não “por quê?”. Ela acredita que no Brasil essa mudança ainda precisa acontecer e que não adianta criar iniciativas se a base da educação não mudar.

“A gente ainda escuta as mesmas coisas, as mesmas piadinhas”

Ela está na linha de frente e se dedica 100% às duas empresas nas quais é sócia. “Todo mundo pergunta: ‘como assim, 100%?’ espantados”. Na Mastertech, além da parte de tecnologia, a empresária ministra algumas aulas. Já na Ponte 21, cuida dos projetos. Entre os dois empreendimentos, o time inclui colaboradores contratados, freelancers e parceiros, chegando a 45 funcionários.

No mês passado, nós contamos aqui a história do Sonya, projeto da Deborah de Angelo e da Bianca Caravajo, que ficou em 3º lugar no Technovation. Perguntamos para a Camila como é receber notícias desses projetos de sucesso que, de alguma forma, passaram pelo trabalho dela. “É muito louco, a gente recebe muita notícia boa e as pessoas me pedem para comentar, mas ainda não me vejo como referência”, explica. Mas para ela, a maior recompensa é saber que está mudando a vida das pessoas.

“Tudo que eu faço tem a ver com tentar mudar as pessoas com educação e tecnologia”

Para o futuro, Camila quer focar no crescimento da Mastertech.”Minha grande métrica não é faturamento, é dar a chance para as pessoas lerem, é atingir milhões de cidadãos “, comenta. Para ela, a Ponte 21 é incrível, pois transforma empresas que transformam pessoas através do Inception21, que é uma metodologia inspirada no Design Thinking.

Camila deixa um recado para mulheres que querem empreender – principalmente no setor de tecnologia: “Não tenham medo de empreender na área. Estudem bastante, porque tem muita chance de seu negócio ser revolucionário tendo a tecnologia como aliada”.

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